Titina Silá e uma homenagem às feministas guineenses

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Titina Silá e uma homenagem às feministas guineenses

O ato central da comemoração é na praça Titina Sila, em Bissau, sob lema “no sukuta voz di no mindjeris pa firmanta lei di paridade na Guiné-Bissau” no dia 22 de Novembro foi aprovado a lei da paridade que fixa a quota de 36% para permitir as decisões das mulheres nos lugares elegíveis.

Em 30 de janeiro de 1973, Ernestina Silá (conhecida como Titina Silá), morreu em uma emboscada de militares portugueses enquanto estava a caminho do funeral de Amílcar Cabral na Guiné-Conacri. Para Amílcar Cabral, ”Titina era uma lutadora incansável, amável, simples, uma pessoa excecional e uma grande patriota”. Aos 18 anos, Titina aderiu à militância do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Em 1963, foi fazer estágio político na então União Soviética. Quando retornou à Guiné – Bissau, treinou 95 mulheres detalhando quais eram as razões da luta e porque deveriam combater contra a dominação europeia (portuguesa) na ocasião de seu país. Em homenagem à heroína Titina morta aos 30 anos e demais feministas guineenses, as Mulheres de diferentes organizações reuniram para reflexão:

“QUE LUGAR A MULHER SE ENCONTRA NA SOCIEDADE GUINEENSE?”

A cara que podemos dar às mulheres guineenses é de cansaço, sofrimento, mágoa e medo de denunciar. O lema das mulheres que mataram a figura das guerreiras da luta de libertação é “djitu ka tem, ina passa ou djitu ka
Que nome podemos dar às mulheres guineenses é de cansaço, sofrimento, mágoa e medo de denunciar. O lema das mulheres que mataram a figura das guerreiras da luta de libertação é “djitu ka tem, ina passa ou djitu ka tem sufri”. Até quando as mulheres vão honrar e valorizar a luta das feministas que deram a vida para que hoje a mulher guineense possa ter mais conquistas, liberdade e coragem de lutar por uma sociedade justa? Uma justiça para que a mulher seja capaz de ser alguém na sociedade guineense além de mãe, esposa, professora, jurista, jornalista, medica, etc, etc, as mulheres merecem uma justiça justa para que ela tenha a capacidade de conquistar o seu lugar e dar vida às outras instituições. Onde estão as histórias das 95 feministas guineenses que lutaram durante 11 anos pela independência da Guiné – Bissau? Carmem Pereira, Teodora Gomes, Francisca Pereira…? Será que ninguém escreveu sobre elas? Mulheres tiveram medo de escrever por que não tinham liberdade de contar as suas próprias histórias? Mulher guineense seja Titina naquilo que é a sua profissão ou ocupação (desde os cargos mais baixos ate a presidência). Viva às mulheres guineenses que tiveram a coragem de dizer basta à violência, basta à desigualdade! Viva à luta, viva à justiça, viva à liberdade! VIVA NÔ MINDJERES! (Viva as nossas mulheres).

 Rádio Nossa 30.01.19

Noémia Gomes da Silva

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